(. . .)

          Eis que, no tardar da hora, respiro fundo na tentativa frustrada de esquecer uma certa dor que aparece aguda não somente em mim, mas em toda uma legião de alunos fascinados por um professor. Alegres, por um dia terem compartilhado a voz rouca e a alegria contagiante, inconsolados, por terem perdido uma personalidade tão brilhante quanto notada. E este é o típico dia que eu desejaria fortemente não existir. Mas existe e é todo nosso.
          Eu escreveria, se pudesse, um texto para transcrever e traduzir o que não costuma ter tradução: O amor incondicional pelos alunos que, inclusive, por ser recíproco, me coloca a tentar escrever. Mas quando escrevo, surge a teimosia. Por que sei, bem sabido, que jamais será possível traduzir em letras todo um amor que é meu e de todo mundo. Todo um tempo que se foi sem fazer despedida nem hora em nossa porta. Foi assim, de supetão, tudo.
          Eu poderia escrever sobre isso. Sobre o amor que a gente sente. Mas, o sentir amor está bem mais relacionado a se agarrar fortemente em algo ou alguém. Agarramos-nos a Rafael Mendes; porém, condiz mais dizer porque. E... digam-me: Por quê? Será o senso moralista passado em todas as aulas? Ou o típico baianês exaltado? Será, ainda, as performances musicais...? As duras críticas contra a politicagem corrupta e desumana... as injustiças sociais... O desapego nosso pelo lugar em que vivemos? Será o gingado que o mantinha de pé até mesmo na hora de proferir um palavrão? Será o jeito de nos fazer rir? Ou, será ainda, uma reunião disso tudo adicionado a um “mais” subentendido e resguardado?
          Foi-se um tempo não só de admiração, mas de devoção mesmo. Ele entrava na sala e todas as luzes se apagavam. Parecia que ele próprio era a luz que refletia no quadro. Era aula dele por si próprio. E, sabemos todos, ele brilhava sem fazer força.Dava aula olhando nos olhos. Parecia ter certeza de que era amado. Não será sua partida suficiente para nos fazer esquecer daquilo que foi belo. E será belo para sempre.
          O tempo vai passar, e, o que ficará, dentre todas as coisas que importam, é o sorriso sincero, o batuque baiano e a vontade de ver as coisas melhorarem.

Por Clarissa Damasceno Melo



P.S.: Daqui a alguns dias haverá um roteiro fixo para o conteúdo das postagens. Nos próximos, serão divulgados, pedaços por pedaços, um pouco de nossa ideia.
beijos , Até a próxima ! ;)

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2 Responses to “(. . .)”

  1. As lágrimas surgem naturalmente ao ler esse texto... Me sinto tão triste com toda a situação pela qual temos passado... Mas ao mesmo tempo, sinto uma alegria indescritivel ao ler as coisas que vocês escrevem sobre ele... Em ver a força e a vontade de mantê-lo sempre vivo nas nossas memórias... E sinto orgulho, muito orgulho. E tenho certeza que ele fica muito feliz em ter a certeza que o seu trabalho sempre foi muito reconhecido e continua sendo... Rafa não tinha apego a nenhum bem material, a unica coisa com a qual ele se importava, era com o seu conhecimento, era com a vontade de educar literalmente, e a vontade de ser reconhecido. Ele sempre achou que a vida foi um pouco ingrata com ele profissionalmente... Apesar de tudo o que foi conquistado, ele tinha essa "mágoa" e o receio de todo o esforço não valer de nada. Eu gostaria que ele tivesse vivo para ver tudo isso, todo o movimento, todas as palavras, todo o reconhecimento. Infelizmente homenagens, na maioria das vezes, só são feitas quando a pessoa morre, e essa era uma observação forte dele que dizia que grandes nomes como Carlinhos Brown por exemplo, só seriam merecidamente reconhecidos, quando não estivessem mais aqui... E é engraçado ver isso acontecer com Rafa... E mesmo não estando aqui, fisicamente, sei que ele tem acesso a tudo isso e deve se sentir muito honrado, feliz e completo, tendo a certeza de que ele só deixou bons frutos. Obrigada galera. Um beijo!

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  2. Estou certa de que, esteja ele onde estiver, vibra em luz.
    E essa luz é tudo o que precisamos para continuar lutando por nossos objetivos, seguir em frente e conseguir vencer. Um grande beijo Paloma!
    Paz e bem =)

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